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25 de jan. de 2015

Singularidades do Viver #005


"Nunca soube, se pintaria os lábios do vermelho carnal e desconcertante do teu coração, de modo a ir de encontro ao teu súbito palpitar no momento que olhavas para a rapariga delicada de cabelos longos que apanhava todos os dias o mesmo comboio que tu.
Ou se os pintaria do mesmo vermelho espesso e escarlate do meu sangue que se esvaía de mim lentamente todos os dias, ao apanhar o mesmo comboio e assistir ao teu enrubescer espontâneo ao pousar os olhos nela. 
Há histórias que acabam antes de começar."

24 de dez. de 2014

Singularidades do Viver #004

"Os anos passam, e o coração vai sangrando, figurativamente, apesar de sentires a dor literal.
Uma pontada, e sabes que te estás a esvair em sangue, desejas, não quero mais sentir, e a dor vai-se desvanecendo, com os minutos, horas, dias, semanas, meses até se tornarem em anos e mais anos.
Tens o peito dormente, e por muito que tentem tocar na ferida, fazer-te sangrar novamente, não sentes.
A ferida sarou, mas dás por ti a divagar na solidão, com o coração em crosta, até que fica nua a cicatriz exibindo a sabedoria presente."

17 de fev. de 2012

Sabes quando lês algo e aquele monte de letras consegue chegar ao teu coração e rasgá-lo? Sabes a dor, quando ele falha uma batida e a seguinte vem com o dobro da força, que te causa um peso no peito e um nó na garganta? As lágrimas que se acumulam, que te incham os olhos e o cérebro que te tenta convencer que é uma reacção parva, apesar de ser involuntária?
Se não sabes hás-de saber, é inevitável, faz parte.

29 de nov. de 2011

Finalmente está tudo bem, tudo bem como eu tinha desejado, deu-se aquele pulo no tempo, e nada aconteceu.
Nada aconteceu porque não nos atrevemos a tocar no assunto, é como aqueles mendigos, podres de bêbados e aceitadores do seu destino ingrato, num canto qualquer de lisboa, eles estão lá, mas ninguém fala deles, ninguém quer falar deles, ninguém olha para eles e quando as crianças curiosas os observam a mamã diz-lhes "Não olhes", a mamã não sabe explicar porque não, mas é assim, é como se de uma regra inevitável se tratasse. 
É daquelas coisas, Tabus, é isso, aquele nosso período de tempo, louco do coração, tornou-se um Tabu, um assunto sensível, e não sei se é assim que pensas, mas evito isto porque tenho medo da tua reacção, que voltemos aos últimos dois meses em que reinava aquele silêncio sepulcral.
Por isso brindemos às histórias mal resolvidas, que nunca se chegarão a resolver.
Porque às vezes é assim que elas ficam melhor arrumadas.

16 de nov. de 2011

Reciclagem

Foi levar uma sova pelo amor abandonado, foi arrancar-se nacos de coração onde a amizade estava guardada, e depois, foi afiar a língua para que a alma dorida afiasse as unhas e se sentisse injustiçada, ou até mesmo para que se sentisse mal pela sova que apanhou, pelos bocados de carne que lhe foram indevidamente arrancados, pelas nódoas negras nas carnes moles e o coração de papel amachucado, que foi apertado de forma a que os vincos permaneçam marcados no papel, ficando assim inapto, posto de lado, a espera do dia em que será reciclado para ser um coração de cartão, mais difícil de sofrer tais vincos.

7 de out. de 2011

Perdidos e Roubados.

Foi preciso ter roubado um coração alheio para descobrir que quem me tinha roubado o meu, não o merecia e tão pouco o queria.
E assim, o dono do coração alheio roubou pela calada o coração que o outro não queria nem merecia, e guardou-o num local melhor, pode ser cedo para se afirmar, mas está muito mais aconchegado agora,


Obrigada.

16 de set. de 2011

Cegueira com Cheiro a Rosas

Olha para nós depois de todo este tempo, até podemos estar na pior das condições, podemos sentir a pior das dores, mas continuamos cegos.
Como se nos vendassem os olhos com rosas encarnadas e suaves que não queremos tirar, porque parece tudo tão perfeito, parece tudo de extremos, com contracurvas deliciosas e cheiros adocicados.
Quando dói, dói mesmo, mas quando sabe bem, sabe mesmo bem, como nunca soube.
E mesmo que o coração bata na mesma antiga, acelerada e aborrecida velocidade, é sempre cada vez melhor e faz-nos querer sempre mais.

4 de set. de 2011

Le Coeur

- Este é o meu coração, toma. Mas tem cuidado, porque me foi emprestado, quando o devolveres, se o devolveres, preciso que esteja intacto.

1 de jul. de 2011

Fuga


 E cada vez que leio ou vejo tal coisa, sinto o meu coração a tentar o suicídio, como se a soltar-se do meu peito estivesse para fugir dali para fora onde não se fosse magoar mais.