"Os anos passam, e o coração vai sangrando, figurativamente, apesar de sentires a dor literal.
Uma pontada, e sabes que te estás a esvair em sangue, desejas, não quero mais sentir, e a dor vai-se desvanecendo, com os minutos, horas, dias, semanas, meses até se tornarem em anos e mais anos.
Tens o peito dormente, e por muito que tentem tocar na ferida, fazer-te sangrar novamente, não sentes.
A ferida sarou, mas dás por ti a divagar na solidão, com o coração em crosta, até que fica nua a cicatriz exibindo a sabedoria presente."
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24 de dez. de 2014
Singularidades do Viver #004
26 de abr. de 2012
Devia seguir os conselhos
Descobri que me fazes feliz, apesar de tudo, descobri que estou feliz quando estou contigo, mesmo que me estejas a fazer mal, mesmo que por vezes a tua presença me destrua.
És daquelas pessoas que me faz rir pela coisa mais estúpida, e eu adoro isso, adoro que me faças rir, e adoro que te lembres de coisas sobre mim que nem eu me lembrava, daqueles pequenos detalhes quase insignificantes, ou que só te falei uma vez ou duas vezes.
No fundo gosto de ti. Gosto muito, de ti. E é esquisito, porque foste a primeira pessoa a quem eu o disse realmente, não apenas por escrito, mas por palavras faladas... E também foste a primeira pessoa que mo disse nas mesmas condições.
E tenho saudades disso... De me achares perfeita para ti, de me contares sonhos em que tínhamos um futuro em comum, e eu te fazia calar, assustada. Mas já não te peço que fiques comigo, apesar de o querer, porque não é correcto, se fosse para voltares já tinhas voltado e não vou ser eu que te vou obrigar.
E agora, devia seguir o conselho de toda a gente e desligar os meus sentimentos, deixar de te olhar assim, como olho, com esperança de que acordes um dia e digas que me queres, como tinhas prometido que dirias. Mas não é assim que as coisas funcionam, nem nunca vai ser.
20 de mar. de 2012
No Rewinds Allowed.
Sinto dentro de mim, este violento frenesim.
Que me ferve as entranhas, sedento de sensações.
Que me faz tremelicar e me dá a volta ao estômago,
Sei do que se trata, é algo que estou farta de conter,
É algo que quero deitar para fora, partilhar, sentir.
Gritar-te tudo isto, apesar de já o saberes.
Quero eliminar este "mas".
Quero transformá-lo numa certeza, em algo estável,
Algo com que saiba que posso contar, abraçar, algo confortável.
E é só isso que te peço, que não repitas a história, não podemos falhar desta vez.
25 de fev. de 2012
E o tempo passa, e passa
Lembram-se desta fotografia? Eu sentia-me tão feliz quando a usei num post algures neste blog.
Foi quando aceitei o que sentia, foi quando abriste os teus braços para mim, quando me achavas especial e falávamos a toda a hora. Quando gostavas mais de mim que eu de ti.
E agora? Agora, pelo que parece, gosto eu mais de ti. Tenho saudades daquelas tuas queridisses, das coisas que me dizias, quando me sussurravas ao ouvido, e os teus olhos que brilhavam quando me vias a entrar pela porta.
Tenho saudades de me sentir amada... amada por ti.
Ele responde se lhe chamares
amada,
amor,
braços,
ele,
fotografia,
gosto,
olhos,
queridisses,
saudade,
tempo
16 de fev. de 2012
16 de nov. de 2011
Reciclagem
Foi levar uma sova pelo amor abandonado, foi arrancar-se nacos de coração onde a amizade estava guardada, e depois, foi afiar a língua para que a alma dorida afiasse as unhas e se sentisse injustiçada, ou até mesmo para que se sentisse mal pela sova que apanhou, pelos bocados de carne que lhe foram indevidamente arrancados, pelas nódoas negras nas carnes moles e o coração de papel amachucado, que foi apertado de forma a que os vincos permaneçam marcados no papel, ficando assim inapto, posto de lado, a espera do dia em que será reciclado para ser um coração de cartão, mais difícil de sofrer tais vincos.
16 de set. de 2011
Cegueira com Cheiro a Rosas
Olha para nós depois de todo este tempo, até podemos estar na pior das condições, podemos sentir a pior das dores, mas continuamos cegos.
Como se nos vendassem os olhos com rosas encarnadas e suaves que não queremos tirar, porque parece tudo tão perfeito, parece tudo de extremos, com contracurvas deliciosas e cheiros adocicados.
Quando dói, dói mesmo, mas quando sabe bem, sabe mesmo bem, como nunca soube.
E mesmo que o coração bata na mesma antiga, acelerada e aborrecida velocidade, é sempre cada vez melhor e faz-nos querer sempre mais.
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