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14 de mar. de 2012

Foi assim,

Já te tinha dito que precisava de falar contigo, ficaste assustado, curioso. Era essa a ideia, queria que me obrigasses a dizer-te.
Perguntaste-me várias vezes qual era o assunto, até que finalmente te contei, na cara, como nunca tinha contado a ninguém. "Ainda gosto de ti" senti a minha cara a ferver e naquele momento sabia que provavelmente pareceria um tomate, mas, surpreendentemente sorriste-me e abraçaste-me, como antes. Disse-te com a voz chorosa, ainda abraçada a ti, que sabia que para ti era só uma amiga, mas interrompeste-me "Não digas isso" estavas aliviado, notava-se na tua voz.
Disseste-me que não querias cometer o mesmo erro comigo, e que também não tinhas entendido o que se tinha passado, reflectimos sobre isso, e finalmente resolvemos a nossa história inacabada (aquela que eu tantas vezes prometera deixar inacabada), não apenas com um ponto final que sentenciaria o final da história, mas sim com um novo capitulo.
Os abraços longos e apertados, o sorriso que me deslumbra, até os olhos a brilhar, voltaram.
Fui falar com ele a espera de uma derrota e em vez disso recebi uma vitória. Parece-me bem.

7 de mar. de 2012

Quando estás a quilómetros de mim, tudo parece estupidamente simples, mas quando estás perto, tudo se torna complicado, tudo ganha uma beleza complexa e bloqueio, fico sem resposta às tuas perguntas e pareço uma parva.
Ainda gosto de ti. E por muito que me apeteça desistir, não sou capaz, só quero mais uma oportunidade, uma chance da nossa historia ter uma consistência diferente.

13 de fev. de 2012

E foi então que te vi a despedires-te dela com dois beijos, assim como outrora te despedias de mim. Um esgar formou-se imediatamente na minha cara, conti-o.
Sei que isso é um sinal, só pode ser, também me davas esse tratamento especial antes, antes de tudo se desmoronar.
Não posso continuar assim. Estou a auto destruir-me emocionalmente, não posso continuar a espera que a nossa história se resolva sozinha.

9 de jan. de 2012

Gosto de cicatrizes. Gosto daqueles risquinhos brancos que se formam na pele. 
Desde um bocadinho de pele escavado, até um relevo, lentamente transformado num altinho, liso e luzidio.
No fundo tratam-se de lembretes, post-its, que nos transmitem várias mensagens.
Lembram-nos a história delas, o que fazíamos, como as adquirimos, se foi boa, se foi má a memória, a lição que tirámos desse episódio...
E o mais importante, lembram-nos que não somos de ferro, que também nos magoamos, e que há sempre volta por cima, por muito funda que a ferida seja.

29 de nov. de 2011

Finalmente está tudo bem, tudo bem como eu tinha desejado, deu-se aquele pulo no tempo, e nada aconteceu.
Nada aconteceu porque não nos atrevemos a tocar no assunto, é como aqueles mendigos, podres de bêbados e aceitadores do seu destino ingrato, num canto qualquer de lisboa, eles estão lá, mas ninguém fala deles, ninguém quer falar deles, ninguém olha para eles e quando as crianças curiosas os observam a mamã diz-lhes "Não olhes", a mamã não sabe explicar porque não, mas é assim, é como se de uma regra inevitável se tratasse. 
É daquelas coisas, Tabus, é isso, aquele nosso período de tempo, louco do coração, tornou-se um Tabu, um assunto sensível, e não sei se é assim que pensas, mas evito isto porque tenho medo da tua reacção, que voltemos aos últimos dois meses em que reinava aquele silêncio sepulcral.
Por isso brindemos às histórias mal resolvidas, que nunca se chegarão a resolver.
Porque às vezes é assim que elas ficam melhor arrumadas.