24 de jan. de 2016

Singularidades do Viver #011

"Eles, não são tu."

10 de mai. de 2015

Etapas

Por todo o tempo que estiveste ausente, por todas as regras que quebraste e por todas as regras que seguiste, pelas pessoas que entraram na tua vida e pelas pessoas que entraram para sair.
Pelas bebedeiras, pelas saídas, jantares e praxes.
Por todas as aulas que foste e que não foste, pelos esforços que fizeste, a paciência que tiveste, as noites, tardes e manhãs que passaste e te dedicaste.
Por tudo o que aprendeste e que de alguma maneira ensinaste.
Agora faz com que tudo valha a pena.
Everything is going to be ok.

19 de abr. de 2015

Singularidades do Viver #008

"O dia a dia está repleto de dor, de pontadas excruciantes, do rasgar da carne e do escorrer quente e grosso sanguíneo ao longo da própria pele pálida, quase azulada, e pinga para cima da carpete, que deixa nódoa e não sai.
Mas a pele não se abre, a carne não se chega a rasgar mesmo, o sangue não escorre, apesar da carpete continuar manchada, apesar da nódoa não sair e a dor continuar a arrepanhar os músculos.
A faca continua espetada nas minhas costas."

9 de fev. de 2015

Singularidades do Viver #006


É inevitável, as melhores oportunidades surgem quando as pessoas sabem que não te podem ter, que não te vão ver durante um longo prazo.
Assim surgem os potenciais melhores começos, aquelas oportunidades que se mostram fugazes, a pontinha da folha que se volta para te dar a chance de espreitar o que há na outra página.
Mas sabes que não a podes virar, não podes investir, não agora, e é isso que as oportunidades querem, desafiar-te, fazer-te desistir do teu mundo e atirares-te de cabeça, sem saberes bem o que vais encontrar no fundo da falésia, se um chão de cimento ou um insuflável para te amparar a queda.

25 de jan. de 2015

Singularidades do Viver #005


"Nunca soube, se pintaria os lábios do vermelho carnal e desconcertante do teu coração, de modo a ir de encontro ao teu súbito palpitar no momento que olhavas para a rapariga delicada de cabelos longos que apanhava todos os dias o mesmo comboio que tu.
Ou se os pintaria do mesmo vermelho espesso e escarlate do meu sangue que se esvaía de mim lentamente todos os dias, ao apanhar o mesmo comboio e assistir ao teu enrubescer espontâneo ao pousar os olhos nela. 
Há histórias que acabam antes de começar."

24 de dez. de 2014

Singularidades do Viver #004

"Os anos passam, e o coração vai sangrando, figurativamente, apesar de sentires a dor literal.
Uma pontada, e sabes que te estás a esvair em sangue, desejas, não quero mais sentir, e a dor vai-se desvanecendo, com os minutos, horas, dias, semanas, meses até se tornarem em anos e mais anos.
Tens o peito dormente, e por muito que tentem tocar na ferida, fazer-te sangrar novamente, não sentes.
A ferida sarou, mas dás por ti a divagar na solidão, com o coração em crosta, até que fica nua a cicatriz exibindo a sabedoria presente."

8 de dez. de 2014

Singularidades do Viver #003

"Coisa curiosa, o charme, que diz sempre mais que a pessoa em si.
De certa forma é raro aquele que tem charme com uma tal saturação que nos faz ignorar o resto, mas é tão inexplicável, quase como abrir uma garrafa de vinho velho, pela qual esperávamos tal momento vai tempo."

4 de dez. de 2014

Singularidades do Viver #002

"O formigar que fervilha debaixo da derme, a onda térmica que sobe pelas veias rumo á máquina bombeadora que é o coração, tal qual dois amantes que se reencontram ao luar.
Volta."

3 de dez. de 2014

Singularidades do Viver #001












"Uma relação é um pouco como um reflexo, por vezes, é como se alguém se estivesse apenas a ver ao espelho, um espelho velho e manchado, talvez até quebrado.
O reflexo está lá, mas a imagem não é nítida e difere da realidade."

26 de jun. de 2014

Evolução da Inocência


  1. Ele sentou-se ao pé de mim nas aulas, desenhávamos juntos, eu animais e ele jogadores de futebol, no recreio capturávamos caracóis e Marias cafés, tinha piada ele ter medo e eu não. Imaginávamos uma vida onde éramos amigos para sempre.
  2. Sentei-me no lugar dele, discutimos por isso, o meu orgulho afastou-o, oh, mas como ele era lindo.
  3. Era de tarde e o ambiente era de praia, o meu afecto por ele era tão claro quanto o sol, no entanto ele estava escondido na sombra de um eucalipto.
  4. Estava frio e as borboletas voavam no meu estômago, o telefone apitou e as asas delas cairam, ele estava numa relação, com um rapaz.
  5. Ele ajudou-me na minha paixão e eu apaixonei-me por ele.
  6. Sentia-me sempre segura nos seus braços, quando a campainha tocou, deu-me um beijo e seguimos por caminhos diferentes mas para o mesmo destino, amei-o, nunca mais fomos os mesmos.
  7. Estava chateada, a festa pedia álcool e eu fiz-lhe a vontade, ele apareceu com uma amiga, puxei-o a meio da nossa conversa para evitar que outro alguém fosse contra ele, ele viu nisso um convite e beijou-me no meio da multidão.
  8. A noite já era menina quando me sentei a fazer-lhe companhia no seu cigarro á beira mar, raios, porque não?
  9. As docas estavam desertas, empurrei-o contra a parede de um café fechado, beijei-o, não senti uma única coisa.