26 de jun. de 2014

Evolução da Inocência


  1. Ele sentou-se ao pé de mim nas aulas, desenhávamos juntos, eu animais e ele jogadores de futebol, no recreio capturávamos caracóis e Marias cafés, tinha piada ele ter medo e eu não. Imaginávamos uma vida onde éramos amigos para sempre.
  2. Sentei-me no lugar dele, discutimos por isso, o meu orgulho afastou-o, oh, mas como ele era lindo.
  3. Era de tarde e o ambiente era de praia, o meu afecto por ele era tão claro quanto o sol, no entanto ele estava escondido na sombra de um eucalipto.
  4. Estava frio e as borboletas voavam no meu estômago, o telefone apitou e as asas delas cairam, ele estava numa relação, com um rapaz.
  5. Ele ajudou-me na minha paixão e eu apaixonei-me por ele.
  6. Sentia-me sempre segura nos seus braços, quando a campainha tocou, deu-me um beijo e seguimos por caminhos diferentes mas para o mesmo destino, amei-o, nunca mais fomos os mesmos.
  7. Estava chateada, a festa pedia álcool e eu fiz-lhe a vontade, ele apareceu com uma amiga, puxei-o a meio da nossa conversa para evitar que outro alguém fosse contra ele, ele viu nisso um convite e beijou-me no meio da multidão.
  8. A noite já era menina quando me sentei a fazer-lhe companhia no seu cigarro á beira mar, raios, porque não?
  9. As docas estavam desertas, empurrei-o contra a parede de um café fechado, beijei-o, não senti uma única coisa.

16 de mai. de 2014

Quote #31

"Podes pensar que não vais aguentar mais, mas a verdade é que quando pensas que não tens força é quando és mais forte."
Concelhos que se dão ás amigas.

23 de fev. de 2014

Sonhadores

A rua estava deserta, era tarde e estava frio, ninguém ousava sair de casa, olhava pela janela apesar de tudo, escondida na penumbra, observava a calmaria da noite, a luz ténue e amarelada dos candeeiros urbanos, não havia lua mas o céu estava razoavelmente limpo. Ouvi um chiar, provavelmente proveniente de algum carro que vagueava pelas ruas vazias, ocupado por alguém louco o suficiente para estar acordado àquelas horas, alguém louco, como eu que observava aquela rua cheia de nada. Pensei nele, a criatura que mais me tinha cativado, os traços dele tinham-se enevoado de certa forma na minha mente, parecia-me mais arrogante apesar de outrora os ter achado afáveis, uma criatura, igualmente cheia de nada.
A vida teimava em dar as suas voltas, sem permissão, tal qual carrossel rodopiando sem destino sonhando alcançar alguma distância.
Talvez fosse essa a metáfora perfeita para os corações perdidos que se retinham em modo voyeur protegidos dentro de quatro paredes, aqueles que observam sem ser observados, sonhadores.

14 de fev. de 2014

Os nossos dias eram assim vividos, esporadicamente, a única coisa certa no final do dia para além das nuvens impressionistas carregadas de cor impulsionadas pelo crepúsculo era o cigarro que se ia auto-consumindo com o vento numa praia qualquer a que tínhamos ido parar. O rumo das nossas vidas, incerto, não poderia ter outro sabor para além do sabor da felicidade, éramos livros e sabiamo-lo.

Num universo paralelo.

21 de dez. de 2013

Viagem intemporal

Sonhei com um amor antigo, aquele que mais me tocou no coração, foi esquisito, mas foi um sonho feliz.
Vi-o a passar por mim e estava para o ignorar, para ceder á parte de mim que queria ser uma grande cabra vingativa, mas não o fiz, baixei o meu orgulho apesar de ter na consciência que ia parecer uma grande parva e caminhei até ele, como quem não quer a coisa e cumprimentei-o, fingindo surpresa, como se não o tivesse visto logo, estava a espera de um sorriso torto e uns olhos de quem me queria estrangular naquele preciso momento, mas não... Ele sorriu-me, feliz, deu-me dois beijinhos e deu-me um abraço apertado, como já não sentia desde o tempo em que éramos um "nós", basicamente voltei atrás no tempo, voltámos a ser amigos e a brincar um com o outro, como antes de as coisas terem acontecido.
Acho que isto se deve á minha curiosidade, ao meu arrependimento, sei lá, podíamos ter sido felizes, mas em vez disso ele optou em ser feliz sem mim, e hoje, acho que apesar de tudo ele fez a escolha certa, de certa forma, porque ele está a ter sucesso, e eu... Eu sou apenas uma artista em crescimento, cujas obras não serão reconhecidas, mas tenho saudades, saudades da pessoa que era com ele e dos planos impossíveis que fazíamos, éramos inocentes e isso nunca vai voltar.

30 de nov. de 2013

Vermelho Fogoso - Um excerto sem sentido

Parámos os dois á beira do precipício, ele sentou-se com os pés a balançar no ar, virou-se para trás com um meio sorriso e ofereceu-me a mão, aceitei-a e sentei-me ao lado dele. Não falámos, as palavras naquele momento seriam falsas. Perdi-me no horizonte, um pouco entre o rio e um ninho de arbustos vermelhos do outono, estava frio, suspirei e apertei-lhe a mão com ambas as minhas, numa tentativa falhada de as aquecer. O vento soprava ambos os nossos cabelos e entrava pelas nossas roupas, tentando chegar-nos ao tutano dos ossos, "Vamos embora." disse-lhe, mas ele não respondeu, apenas permaneceu com os olhos no horizonte, perdidos entre o rio e um ninho de arbustos fogosos de vermelho do outono, se não fosse pela pele de galinha diria que ele não estava a sentir o frio.

2 de set. de 2013

Let's not sink

A noite apresentou-nos á distância e obrigou-nos a interagir de repente, fez faisca, mas o fogo não chegou a ser ateado, a noite tinha pressa e foi-se embora com ele, cedo demais.
Meses passaram como corre a água de um riacho, ribeira que canta entre o cascalho no fundo, dançando na corrente, a noite veio e voltou, mas dele nunca houve sinal. Ela roubou-o com a mesma rapidez com que o ofereceu.
Ou pensava eu, ele foi afastado sim, mas conseguiu que houvesse a possibilidade de partilharmos mais noites e até dias, esses que nunca tinham sido chamados ou acordados, não sei para onde a linha do rio que outrora era riacho ou ribeiro me leva, mas também não é assunto que me atormente, vou deixar o riacho cantar e levar-me ao sabor do vento e da corrente, se não me afogar, quem sabe se vou parar a um lugar bonito?

15 de ago. de 2013

Certas loucuras

Sentia a boca como se fosse uma peúga velha, seca e cheia de mentiras.
Com coisas que disse e com coisas que nunca disse, frases de roçar a perfeição que soavam a falso.
Ele era o que ela desejava sim, quase, mas outrora. No entanto a realidade era que o tempo dele tinha passado.
Frases ditas na altura certa passaram a frases erradas, numa falsa altura certa, suspiradas pela pessoa menos certa ou completamente errada.
Deixava saudades é certo, embora por outro lado as recordações não a fizessem arrepiar só por serem boas, também a irritavam, lembrar-se como se tornava estúpida quando apaixonada.
Não era louco aquele que disse que o amor era fraqueza para o ser.

Da Nostalgia

Nunca pensei depois destes dois anos encontrar uma música composta por ti e continuar a arrepiar-me com a tua voz.

27 de jul. de 2013

Memória Fotográfica

Tenho vários pensamentos que me atormentam, um em especial que me tem atormentado mais, é o facto de não pegar na minha máquina fotográfica desde inícios de Junho, isto acontece porque estou de férias, o que é totalmente bom porque finalmente há aquele descanso merecido, mas preocupa-me um pouco, a fotografia é uma parte essencial da minha vida, capta memórias, imortaliza coisas bonitas ou menos bonitas, conta a minha história, e a máquina tem estado ali no canto, dentro de uma mala que tem vindo a cultivar pó e provavelmente bichos menos agradáveis.
Pedidos não me faltam "Temos de ir passear e tirar umas fotografias" dizem-me com um sorriso na cara, eu sorrio de volta e concordo, é uma coisa que gosto de fazer, obviamente, mas ultimamente não sei porquê tenho acabado por a abandonar, talvez seja da quantidade inocente de eventos repentinos em que levar a máquina seria incómodo ou proibido, uma data de razões e desculpas completamente racionais para a segurança do meu objecto favorito.
Mas hoje olhei para ela ali no canto, e ela olhou para mim, o pó por cima da mala fulminou-me com olhos poeirentos "Olha o que fizeste, estúpida, abandonaste-nos." e eu peguei-a com cuidado e observei todos os seus pormenores, agora estou aqui, estamos juntas outra vez.