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5 de dez. de 2011

I'll never be good enough

Reúne todos os materiais, desde aparos a pincéis, do mais arcaico ao mais moderno, não quero saber, reúne-os e desenha, desenha o que te vai na alma.
Mastiga uma pastilha até não ter mais sabor, deita-a no caixote e mastiga outra, são as tuas únicas pausas, apesar de não as deveres fazer, quanto mais mastigas mais nervosa ficas, isso é mau para as tuas mãos, não tremas.
Não penses em como o achas charmoso, não sonhes com os beijos que jamais aconteceram, não desejes que ele te deseje outra vez, não sonhes acordada e concentra-te, concentra-te porque se pensares nele vais perder o fio a meada, vais acabar por achar a parede mais estável para os teus pensamentos auto-destructivos.
E os olhos meio azuis, meio esverdeados, meio castanhos da outra criatura bonita? Os desse quanto muito podes desenha-los, mas não penses que eles te vão olhar com a vivacidade de quem ama, porque não vão, vão apenas olhar-te com ar sedutor do papel onde os imortalizaste.
Tens de deixar de sentir necessidade de ter várias opções, tens de aceitar quando perdes a única opção que tens, não podes correr atrás do vento, ele envolve-te quando lhe apetece. E com isso, a única coisa que te resta fazer é pegar numa folha branca e numa ferramenta de desenho, provavelmente a mais simples, e começar a desenhar algo novo, mas começa antes pela paisagem, é o melhor, nem sempre tens de ter um protagonista, porque um desenho estragado raramente pode ser reparado.

11 de nov. de 2011

É diferente, mas ser diferente não significa que seja uma diferença má.
As vezes até pode ser melhor.

25 de jun. de 2011

Cheira a mar



Quando saí de casa, olhei a estrada ao longe e vi uma poça de água, que na realidade sabia que não estava lá.
As ruas estão desertas e nem um carro passa, e esta avenida que costuma ser tão movimentada.
Os pés ardem-me nas havaianas e sinto as calças coladas ás pernas, não consigo ter o cabelo solto, trinta graus dizias tu?
A musica não tem o mesmo sabor debaixo daquele sol sem brisa, dava para fazer ovos estrelados no asfalto, aposto.
Está tudo demasiado calmo, ainda só passou um par de carros e um senhor com uma camisola suspeita.
O chão está peganhento, malditas árvores resinosas que cospem a tal substância peganhenta para cima da calçada.
Havia um carro, vermelho, horrível, estacionado há sombra. Já o tinha visto em dias anteriores, com o seu dono de feições asquerosas e rudes, com óculos de fundo de garrafa sentado no seu interior acompanhado pela namorada, uma rapariga que também não inspira nada de bom.
Ao passar pelo carrinho que mais parece uma caixinha de fósforos, todo mal tratado, reparei que eles tinham deixado lá dentro um maço de tabaco e duas toalhas de praia. Quanto ao maço de tabaco nem lhe liguei, eles que engulam a cinza que quiserem, mas as toalhas...
As toalhas fizeram-me viajar, e de repente houve uma brisa, um cheiro a mar, a sal, crianças a fazer castelos de areia e uma enorme... uma enorme massa azul esverdeada, com uma largura que a vista não alcança.
Acho mesmo que tive diversas miragens naquele espaço de dez minutos.