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10 de out. de 2011

Fall


Havia tempos em que andava a ansiar o calor, farta do frio, mas este agora veio demasiado intenso e agora já não lhe acho tanta piada, onde estás vento refrescante? Onde estás frio que torna uma chávena de chá de morango a melhor coisa a face da terra?
É, sou uma pessoa que não gosta de temperaturas em excesso. Gosto daquele tempo de céu limpo, com uma certa brisa, e um certo friozinho na espinha. Ou até mesmo aquele tempo nublado mas abafado, agradável.
Sou uma pessoa de fins de tarde semi-frios ou semi-quentes, se isso fizer sentido.
Gosto de ouvir o murmúrio que o vento causa entre os galhos das árvores, quando os bichos verdes estão a hibernar e não nos vêem chatear.
É isso, anda lá outono, agora que te queremos e que te escondes de nós?

6 de set. de 2011

Gelado

Lembras-te daquela sensação que tinhas quando eras uma criança, em que olhavas para o céu e imaginavas como as nuvens tinham enclausuradas sensações de algodão doce e sonhos realizados?
É essa a sensação, sabe a céu.

25 de jun. de 2011

Cheira a mar



Quando saí de casa, olhei a estrada ao longe e vi uma poça de água, que na realidade sabia que não estava lá.
As ruas estão desertas e nem um carro passa, e esta avenida que costuma ser tão movimentada.
Os pés ardem-me nas havaianas e sinto as calças coladas ás pernas, não consigo ter o cabelo solto, trinta graus dizias tu?
A musica não tem o mesmo sabor debaixo daquele sol sem brisa, dava para fazer ovos estrelados no asfalto, aposto.
Está tudo demasiado calmo, ainda só passou um par de carros e um senhor com uma camisola suspeita.
O chão está peganhento, malditas árvores resinosas que cospem a tal substância peganhenta para cima da calçada.
Havia um carro, vermelho, horrível, estacionado há sombra. Já o tinha visto em dias anteriores, com o seu dono de feições asquerosas e rudes, com óculos de fundo de garrafa sentado no seu interior acompanhado pela namorada, uma rapariga que também não inspira nada de bom.
Ao passar pelo carrinho que mais parece uma caixinha de fósforos, todo mal tratado, reparei que eles tinham deixado lá dentro um maço de tabaco e duas toalhas de praia. Quanto ao maço de tabaco nem lhe liguei, eles que engulam a cinza que quiserem, mas as toalhas...
As toalhas fizeram-me viajar, e de repente houve uma brisa, um cheiro a mar, a sal, crianças a fazer castelos de areia e uma enorme... uma enorme massa azul esverdeada, com uma largura que a vista não alcança.
Acho mesmo que tive diversas miragens naquele espaço de dez minutos.