21 de dez. de 2013

Viagem intemporal

Sonhei com um amor antigo, aquele que mais me tocou no coração, foi esquisito, mas foi um sonho feliz.
Vi-o a passar por mim e estava para o ignorar, para ceder á parte de mim que queria ser uma grande cabra vingativa, mas não o fiz, baixei o meu orgulho apesar de ter na consciência que ia parecer uma grande parva e caminhei até ele, como quem não quer a coisa e cumprimentei-o, fingindo surpresa, como se não o tivesse visto logo, estava a espera de um sorriso torto e uns olhos de quem me queria estrangular naquele preciso momento, mas não... Ele sorriu-me, feliz, deu-me dois beijinhos e deu-me um abraço apertado, como já não sentia desde o tempo em que éramos um "nós", basicamente voltei atrás no tempo, voltámos a ser amigos e a brincar um com o outro, como antes de as coisas terem acontecido.
Acho que isto se deve á minha curiosidade, ao meu arrependimento, sei lá, podíamos ter sido felizes, mas em vez disso ele optou em ser feliz sem mim, e hoje, acho que apesar de tudo ele fez a escolha certa, de certa forma, porque ele está a ter sucesso, e eu... Eu sou apenas uma artista em crescimento, cujas obras não serão reconhecidas, mas tenho saudades, saudades da pessoa que era com ele e dos planos impossíveis que fazíamos, éramos inocentes e isso nunca vai voltar.

30 de nov. de 2013

Vermelho Fogoso - Um excerto sem sentido

Parámos os dois á beira do precipício, ele sentou-se com os pés a balançar no ar, virou-se para trás com um meio sorriso e ofereceu-me a mão, aceitei-a e sentei-me ao lado dele. Não falámos, as palavras naquele momento seriam falsas. Perdi-me no horizonte, um pouco entre o rio e um ninho de arbustos vermelhos do outono, estava frio, suspirei e apertei-lhe a mão com ambas as minhas, numa tentativa falhada de as aquecer. O vento soprava ambos os nossos cabelos e entrava pelas nossas roupas, tentando chegar-nos ao tutano dos ossos, "Vamos embora." disse-lhe, mas ele não respondeu, apenas permaneceu com os olhos no horizonte, perdidos entre o rio e um ninho de arbustos fogosos de vermelho do outono, se não fosse pela pele de galinha diria que ele não estava a sentir o frio.

2 de set. de 2013

Let's not sink

A noite apresentou-nos á distância e obrigou-nos a interagir de repente, fez faisca, mas o fogo não chegou a ser ateado, a noite tinha pressa e foi-se embora com ele, cedo demais.
Meses passaram como corre a água de um riacho, ribeira que canta entre o cascalho no fundo, dançando na corrente, a noite veio e voltou, mas dele nunca houve sinal. Ela roubou-o com a mesma rapidez com que o ofereceu.
Ou pensava eu, ele foi afastado sim, mas conseguiu que houvesse a possibilidade de partilharmos mais noites e até dias, esses que nunca tinham sido chamados ou acordados, não sei para onde a linha do rio que outrora era riacho ou ribeiro me leva, mas também não é assunto que me atormente, vou deixar o riacho cantar e levar-me ao sabor do vento e da corrente, se não me afogar, quem sabe se vou parar a um lugar bonito?

15 de ago. de 2013

Certas loucuras

Sentia a boca como se fosse uma peúga velha, seca e cheia de mentiras.
Com coisas que disse e com coisas que nunca disse, frases de roçar a perfeição que soavam a falso.
Ele era o que ela desejava sim, quase, mas outrora. No entanto a realidade era que o tempo dele tinha passado.
Frases ditas na altura certa passaram a frases erradas, numa falsa altura certa, suspiradas pela pessoa menos certa ou completamente errada.
Deixava saudades é certo, embora por outro lado as recordações não a fizessem arrepiar só por serem boas, também a irritavam, lembrar-se como se tornava estúpida quando apaixonada.
Não era louco aquele que disse que o amor era fraqueza para o ser.

Da Nostalgia

Nunca pensei depois destes dois anos encontrar uma música composta por ti e continuar a arrepiar-me com a tua voz.

27 de jul. de 2013

Memória Fotográfica

Tenho vários pensamentos que me atormentam, um em especial que me tem atormentado mais, é o facto de não pegar na minha máquina fotográfica desde inícios de Junho, isto acontece porque estou de férias, o que é totalmente bom porque finalmente há aquele descanso merecido, mas preocupa-me um pouco, a fotografia é uma parte essencial da minha vida, capta memórias, imortaliza coisas bonitas ou menos bonitas, conta a minha história, e a máquina tem estado ali no canto, dentro de uma mala que tem vindo a cultivar pó e provavelmente bichos menos agradáveis.
Pedidos não me faltam "Temos de ir passear e tirar umas fotografias" dizem-me com um sorriso na cara, eu sorrio de volta e concordo, é uma coisa que gosto de fazer, obviamente, mas ultimamente não sei porquê tenho acabado por a abandonar, talvez seja da quantidade inocente de eventos repentinos em que levar a máquina seria incómodo ou proibido, uma data de razões e desculpas completamente racionais para a segurança do meu objecto favorito.
Mas hoje olhei para ela ali no canto, e ela olhou para mim, o pó por cima da mala fulminou-me com olhos poeirentos "Olha o que fizeste, estúpida, abandonaste-nos." e eu peguei-a com cuidado e observei todos os seus pormenores, agora estou aqui, estamos juntas outra vez.

1 de jul. de 2013

Lado neutro








Sou um lado semelhante a todos os outros lados de um íman, sou um lado neutro pelo qual nenhum outro se atrai. Muitos tentam mas uma força exterior repele-os, não sei porquê, mas tento pensar que a culpa não é minha, é a ordem das coisas, opostos atraem-se e os iguais repelem-se, mas porque é que todos teimam em ser iguais?

17 de jun. de 2013





 Outrora as suas palavras eram como simples flores silvestres que balançam ao vento, belas, poéticas e doces. No entanto, hoje era uma pessoa diferente, e desta vez, cada vez que falava era como uma explosão de ódio e desespero, ao invés das palavras escorregarem pelo pescoço num arrepio floral, roçavam-no como uma corda roça o pescoço de um condenado ou como uma faca fria beijaria uma garganta nua, seria uma morte mais limpa.

2 de jun. de 2013

Quote #30

 "-Mulher? - Dany soltou um risinho. -Isso pretende insultar-me? Devolveria a provocação se te julgasse um homem. (...)"
 A Glória dos Traidores, George R. R. Martin

11 de mai. de 2013

Futuro

Foi numa noite fria daquelas primaveris com cheiro a verão escondido.
Andava eu a trabalhar e cruzei-me com ele, alto, de camisa azul, feições simples mas atraente e olhos de avelã, trocámos meras palavras e ele quis ajudar-me no trabalho recusei educadamente "Se nos encontrarmos novamente é destino" disse-me com um sorriso sedutor, apesar de lhe retribuir o sorriso, ignorei a promessa e continuei a trabalhar, ele desapareceu, não foi preciso nem uma hora para nos cruzarmos novamente num outro sitio entre a multidão presente, "Deve ser destino" disse-me ele com a sua voz grave, sorri-lhe e continuei, até que me perguntou o nome e por consequência lhe perguntei o dele, éramos possuidores de nomes de personagens de um romance antigo, daqueles com drama e sangue no fim.
Falávamos ao ouvido um do outro, por causa da música que tocava alta, pessoas dançavam à nossa volta, mas ele não parecia querer saber de mais nada, os vestígios de barba que ele possuía na cara arranhavam-me de forma agradável, perdi-me um pouco naquela conversa, entre provocações e afirmações sarcásticas. 
Quando decidi fazer uma pausa e dançar um pouco senti alguém acariciar-me o cabelo, olhei para traz e lá estava ele, de meio sorriso na cara a olhar para mim, desafiador. 
Conversámos ao ouvido um do outro durante algum tempo, ele tinha um cheiro forte a perfume que só dava vontade de continuar a respirar fundo para o sentir, quando dei por nós estávamos abraçados, no meio do frenesim louco de pessoas extasiadas pela música, acabámos a noite assim, num abraço apertado entre beijos ocasionais no pescoço um do outro, quando a música acabou e as pessoas começaram a ir embora, descobrimos que vivíamos a milhas um do outro, e que muito provavelmente uma relação não sobreviveria, por isso despedimo-nos com outro abraço, mais apertado que os iniciais, quase que lhe pedi para não me largar mais, mas não o fiz, foi quando caminhámos em sentidos opostos que a frase "Se nos encontrarmos novamente é destino" ressoou na minha mente.