27 de jul. de 2013

Memória Fotográfica

Tenho vários pensamentos que me atormentam, um em especial que me tem atormentado mais, é o facto de não pegar na minha máquina fotográfica desde inícios de Junho, isto acontece porque estou de férias, o que é totalmente bom porque finalmente há aquele descanso merecido, mas preocupa-me um pouco, a fotografia é uma parte essencial da minha vida, capta memórias, imortaliza coisas bonitas ou menos bonitas, conta a minha história, e a máquina tem estado ali no canto, dentro de uma mala que tem vindo a cultivar pó e provavelmente bichos menos agradáveis.
Pedidos não me faltam "Temos de ir passear e tirar umas fotografias" dizem-me com um sorriso na cara, eu sorrio de volta e concordo, é uma coisa que gosto de fazer, obviamente, mas ultimamente não sei porquê tenho acabado por a abandonar, talvez seja da quantidade inocente de eventos repentinos em que levar a máquina seria incómodo ou proibido, uma data de razões e desculpas completamente racionais para a segurança do meu objecto favorito.
Mas hoje olhei para ela ali no canto, e ela olhou para mim, o pó por cima da mala fulminou-me com olhos poeirentos "Olha o que fizeste, estúpida, abandonaste-nos." e eu peguei-a com cuidado e observei todos os seus pormenores, agora estou aqui, estamos juntas outra vez.

1 de jul. de 2013

Lado neutro








Sou um lado semelhante a todos os outros lados de um íman, sou um lado neutro pelo qual nenhum outro se atrai. Muitos tentam mas uma força exterior repele-os, não sei porquê, mas tento pensar que a culpa não é minha, é a ordem das coisas, opostos atraem-se e os iguais repelem-se, mas porque é que todos teimam em ser iguais?

17 de jun. de 2013





 Outrora as suas palavras eram como simples flores silvestres que balançam ao vento, belas, poéticas e doces. No entanto, hoje era uma pessoa diferente, e desta vez, cada vez que falava era como uma explosão de ódio e desespero, ao invés das palavras escorregarem pelo pescoço num arrepio floral, roçavam-no como uma corda roça o pescoço de um condenado ou como uma faca fria beijaria uma garganta nua, seria uma morte mais limpa.

2 de jun. de 2013

Quote #30

 "-Mulher? - Dany soltou um risinho. -Isso pretende insultar-me? Devolveria a provocação se te julgasse um homem. (...)"
 A Glória dos Traidores, George R. R. Martin

11 de mai. de 2013

Futuro

Foi numa noite fria daquelas primaveris com cheiro a verão escondido.
Andava eu a trabalhar e cruzei-me com ele, alto, de camisa azul, feições simples mas atraente e olhos de avelã, trocámos meras palavras e ele quis ajudar-me no trabalho recusei educadamente "Se nos encontrarmos novamente é destino" disse-me com um sorriso sedutor, apesar de lhe retribuir o sorriso, ignorei a promessa e continuei a trabalhar, ele desapareceu, não foi preciso nem uma hora para nos cruzarmos novamente num outro sitio entre a multidão presente, "Deve ser destino" disse-me ele com a sua voz grave, sorri-lhe e continuei, até que me perguntou o nome e por consequência lhe perguntei o dele, éramos possuidores de nomes de personagens de um romance antigo, daqueles com drama e sangue no fim.
Falávamos ao ouvido um do outro, por causa da música que tocava alta, pessoas dançavam à nossa volta, mas ele não parecia querer saber de mais nada, os vestígios de barba que ele possuía na cara arranhavam-me de forma agradável, perdi-me um pouco naquela conversa, entre provocações e afirmações sarcásticas. 
Quando decidi fazer uma pausa e dançar um pouco senti alguém acariciar-me o cabelo, olhei para traz e lá estava ele, de meio sorriso na cara a olhar para mim, desafiador. 
Conversámos ao ouvido um do outro durante algum tempo, ele tinha um cheiro forte a perfume que só dava vontade de continuar a respirar fundo para o sentir, quando dei por nós estávamos abraçados, no meio do frenesim louco de pessoas extasiadas pela música, acabámos a noite assim, num abraço apertado entre beijos ocasionais no pescoço um do outro, quando a música acabou e as pessoas começaram a ir embora, descobrimos que vivíamos a milhas um do outro, e que muito provavelmente uma relação não sobreviveria, por isso despedimo-nos com outro abraço, mais apertado que os iniciais, quase que lhe pedi para não me largar mais, mas não o fiz, foi quando caminhámos em sentidos opostos que a frase "Se nos encontrarmos novamente é destino" ressoou na minha mente.

6 de abr. de 2013

Madame

Junho, o calor começava a ser mais frequente no dia a dia, finalmente o frio primaveril começava a evaporar-se e ela podia sentar-se no alpendre na cadeira de baloiço que chegava a congelar no inverno.
Era pacifico, e a brisa, que começava a ser quente beijava-lhe o pescoço nu, tinha um envelope entre os dedos, acariciou o papel e descolou a tira que o selava. Era de Martim, já não o via haviam três ou quatro voltas de lua, pensava que nunca mais o veria, pela forma como as coisas tinham sido deixadas. 
Tinha sido uma amizade com uma interrupção algo brusca e inexplicável, mas talvez isso não tivesse significado o fim para eles.
Puxou o papel que estava dentro do envelope, era mais uma espécie de cartão do que um papel na verdade, tinha as pontas a imitar pergaminho e havia laivos dourados aqui e ali, um pouco á antiga, muito ao estilo de Martim.
Leu-o devagar, consumindo as palavras como se quisesse ler aquilo para sempre, eram escritas á máquina
e notava-se que tinham sido impressos vários cartões pelo mesmo modelo, as letras convidavam-na para assistir a um musical. Provavelmente não seria nada de especial, como nunca era na realidade, mas atrás do cartão, onde não havia sinal de ter sido produzido por máquinas, havia um "Aparece, por favor" e a rubrica de Martim sussurrada por baixo.
Era Martim, e apesar de não o ver há muito não podia deixar de comparecer, não o queria desiludir apesar de todo o sucedido, a carta tinha vindo atrasada, o musical tinha data para o dia a seguir, pôs o papel de lado e desfrutou do resto da tarde no alpendre a ser acariciada pela brisa.
No dia seguinte, já o sol se começava a extinguir quando se começou a arranjar para ir ver o seu amigo actuar, vestiu algo simples mas sofisticado, afinal era um musical, haveria lá algures mulheres de alta classe nos seus vestidos pomposos, e sabia que Martim estava a subir na sua carreira performativa e cada vez mais pessoas o procuravam para se entreterem ao ouvi-lo cantar e vê-lo executar as coreografias dramáticas tão típicas dos musicais. Vestiu um vestido vermelho de verão, leve e confortável e pintou os lábios a condizer, pesou se faria ou não uma trança, mas decidiu levar o cabelo solto numa cascata acobreada.
Pegou no convite, lançando-o para dentro da mala, entrou no carro e ligou a ignição fazendo o carro ronronar por baixo dela, conduziu devagar para poder perder-se em devaneios com mais segurança, quando deu por si já estava quase no teatro onde seria o espectáculo, estacionou e saiu a cambalear um pouco por estar a ficar atrasada, á entrada, quando disse o seu nome ao moço da lista de convidados, este fez um ar de reconhecimento e fez o seu colega guiá-la até ao seu lugar, Que bem, agora até têm lugares marcados para os convidados, o Martim anda mesmo a ficar alguém importante, pensou Diana. O rapaz guiou-a até uma das cabines suspensas que tinham porta para a privacidade e tudo.
-Espero que aprecie o espectáculo, Madame. - disse o rapaz com cortesia.
Mas ela estava sozinha, não precisaria daquilo, tentou dizer ao rapaz, mas então ele já tinha desaparecido atrás dela.
Acomodou-se no lugar que lhe tinha sido concedido e esperou o inicio do espectáculo.
Martim era dos personagens principais, o musical falava de uma historia de romance entre dois jovens que no final morriam literalmente de amores um pelo outro, mas, ao contrário de Romeu e Julieta, estes morriam assassinados por um fora da lei. A história não era das melhores, mas a produção estava boa, muito melhor do que a ultima que se lembrava de ver com Martim a actuar. Quando acabou houve uma enorme salva de palmas, até rosas atiraram ao palco e aclamavam o nome dos personagens, por essa altura Diana levantou-se e virou costas ao palco, saindo pela porta da cabine e dirigindo-se para fora do teatro, queria muito falar com Martim, abraçá-lo e felicitá-lo pelo sucesso, mas a ideia aterrorizava-a, por isso apressou o passo até chegar ao seu carro, estava a pôr a chave na ranhura quando ouviu o seu nome ser chamado do outro lado da estrada.
Era Martim, ainda com a roupa da peça, uma camisa branca e larga enfiada dentro de calças pretas, os seus pés estavam descalços, tal teria sido a pressa com que teria deixado o teatro à sua procura. Diana congelou, ficou imóvel a olhá-lo, meio em pânico, meio em êxtase. Ele atravessou a estrada a correr, com os seus caracóis castanhos a saltitar com os seus passos até chegar a ela, parou imóvel à sua frente e por momentos fitou-a triste, lembrando-se de todas as coisas terríveis que tinham dito um ao outro.
-Vieste. - Disse por fim, e um enorme sorriso rasgou-lhe os lábios ao mesmo tempo que se precipitava num grande abraço.
Ela envolveu-o também e sentiu os olhos quentes e húmidos de lágrimas.
-Claro que vim, és o meu melhor amigo.

5 de abr. de 2013

Do vaguear

I just don’t say anything to you about us becouse I’m afraid, I’m afraid you’ll reject me, afraid you will prefer someone else over me, becouse I can’t write those complex romantic poems you like. I barely can’t even write some romantic shit adressed to you, I mean with your name explicit on it. I’m too afraid you will find me lame, becouse it’s not complex, it’s not poetic it’s just some lame, dreamy and shitty text about you and me being together. Also, I’m ashamed of what I feel about you, I can’t admit it, I can’t admit that… I might really feel something, it just does not seem right becouse I already know you do not feel the same. And… I kinda feel like I’m a monster, becouse It seems that I’m not good enough for anyone.

Encontrei isto no meu tumblr, escrevi-o em Julho, de 2011.

28 de mar. de 2013

Quote #29





"Tudo o que é perfeito já foi quebrado."

3 de mar. de 2013

Ferro e Sal



Consigo ouvir gargalhadas, água que chapinha e por momentos não estou só.
Estou a flutuar, mas não consigo respirar, não consigo nadar até ao topo, aflita tento gritar, mas estou submersa, um grito mudo sai de dentro de mim, e nada, mas o chapinhar continua.
Ninguém me vê.
Um cardume de peixes coloridos explode sobre mim, faúlhas amarelas e fogo vermelho vivo e incandescente espalha-se pela água verde, acabando por morrer com a distância.
Vejo tudo, apesar de turvo pelo sal que me arde nos olhos.
Silêncio, e estou perdida, afundada e esquecida.

1 de fev. de 2013

Make it go away

Não consigo pensar numa maneira pior de morrer do que da maneira que morro sempre, asfixiada.
Vezes e vezes sem conta, morro, sem ar, ora debaixo de àgua, afogada, ou às mãos de alguém que não me aprecia, estrangulada.
São sempre sonhos vívidos em que sinto a vida a escapar-me, apesar de tentar ser forte e aguentar, sinto-a a desaparecer, os pulmões ardem e gritam por oxigénio, mas ele não passa. Só respiro no momento em que morro, abro os olhos e estou de volta, viva, na minha cama, estupidamente ofegante por conseguir respirar novamente.
Mas não é só em sonhos que morro, morro muitas vezes enquanto estou acordada também, vejo coisas que não quero e o coração explode, estilhaça-se em mil pedaços e cai até aos pés, perdendo-se, ou até no meio de confissões, em que ele incha e me aperta o peito, matando-me sem ar novamente. Ou num acto de revolta, em que ardo na minha própria raiva e renasço nas minhas cinzas.
No fundo a morte está sempre presente, sussurando-nos ao ouvido e afagando-nos a pele, como se nos quisesse conquistar, armada em sedutora.