Não consigo pensar numa maneira pior de morrer do que da maneira que morro sempre, asfixiada.
Vezes e vezes sem conta, morro, sem ar, ora debaixo de àgua, afogada, ou às mãos de alguém que não me aprecia, estrangulada.
São sempre sonhos vívidos em que sinto a vida a escapar-me, apesar de tentar ser forte e aguentar, sinto-a a desaparecer, os pulmões ardem e gritam por oxigénio, mas ele não passa. Só respiro no momento em que morro, abro os olhos e estou de volta, viva, na minha cama, estupidamente ofegante por conseguir respirar novamente.
Mas não é só em sonhos que morro, morro muitas vezes enquanto estou acordada também, vejo coisas que não quero e o coração explode, estilhaça-se em mil pedaços e cai até aos pés, perdendo-se, ou até no meio de confissões, em que ele incha e me aperta o peito, matando-me sem ar novamente. Ou num acto de revolta, em que ardo na minha própria raiva e renasço nas minhas cinzas.
No fundo a morte está sempre presente, sussurando-nos ao ouvido e afagando-nos a pele, como se nos quisesse conquistar, armada em sedutora.
1 de fev. de 2013
27 de jan. de 2013
Quote #28
Mas é disto que os artistas são feitos, não é? A dor de ser, de espírito, a incapacidade de se sentirem completos.
20 de jan. de 2013
O ego foi-se
Sentir o teu cheiro doce que me arrepia a espinha, beijar-te o pescoço de raspão e olhar-te nos olhos com malícia. Não fiques assim meu amor, nunca te magoaria, e o ego vai-se e o ego vai-se.
Quero-te assim, nos meus braços, solto, podes fugir, apesar de eu preferir que fiques.
É ai que reside o doce, nos teus olhos que me engordam de paixão, ou será nas tuas mãos?
Não me respondas, as respostas fazem mal, porque quando as sabes arrancam-te o coração.
A não ser que as mãos sejam as tuas, as doces, lembras-te, com cuidado e atenção.
Mas o ego foi-se, o ego foi-se, onde o meteste, onde o roubaste.
E os teus braços, abertos para mim? Desculpa amor, as perguntas fazem pior que as respostas.
Dão-te a volta a cabeça e fazem-te vomitar o cérebro pelo nariz. Não quero, ninguém me pode obrigar.
Não amor, já te disse que não me podes salvar, o ego foi-se, fugiu, deixei-o solto e desapareceu, como tu.
15 de jan. de 2013
5 de jan. de 2013
Dormência
Vejo de olhos fechados, com os olhos abertos vejo mas não vejo, não presto atenção, é como se tudo fosse insignificante e estivesse em linha de espera.
Constante dormência e tormento de espírito em que não sei bem que fazer, dormir resolve, temporariamente, as costas espelham os baques do coração, os músculos abraçam a dor, é desolador estar acordado, mal espero, conto as horas, lufada de ar fresco talvez.
30 de dez. de 2012
Por fim.
2012 foi um ano duro, apaixonei-me, declarei-me, fui feliz, fui desiludida, chorei, senti-me deprimida, achei que não era boa o suficiente, sofri, ultrapassei isso, e desiludi-me novamente, desta vez com uma amizade, gira o disco e toca o mesmo. Segui em frente, tive uma das melhores férias de verão, criei uma página de fotografias, tive bastante feedback. Tive uma média de merda, entrei numa universidade longe de casa, chorei desiludida comigo mesma, decidi dar uma oportunidade à escola que não desejava, vivi sozinha pela primeira vez, surpreendi-me e já não consegui deixar Santarém, fiz amigos, fui praxada, fiz parte de uma família, fiz várias directas seguidas, trabalhei, bebi até cair para o lado, dormi no comboio, dormi no autocarro, passei uma tarde inteira a dormir, apaixonei-me, sonhei, voltei a casa com o nascer do sol, fiz amigos, arranjei uma família, fui amada, gritei até ficar afónica, tive pensamentos que nunca pensei vir a ter, e vontade de os realizar, assustei-me, perdi alguém importante, chorei por ele, fiz filmes, escrevi muito, comprei o meu traje, apercebi-me que sou mais importante do que imaginava, tive orgulho. E assim se resume o meu 2012, numa grande merda que não sei bem como acabou, falta um dia, e vai ser a loucura, talvez vos fale dele no futuro.
25 de dez. de 2012
Qual Natal?
Estar fechada dentro de quatro paredes com os familiares todos dá-me arrepios, demasiadas perguntas, perguntas a que não quero dar resposta, comportamentos que me fazem pensar na inutilidade e estupidez a que a nossa raça chegou.
Além disso, com a idade as prendas ficam mais dificeis de escolher e acabo por ficar mais descontente com o que recebo, ou com o que não recebo. Mas nunca me importei muito com essa parte.
O problema desta época... Eu nem sei qual é o problema desta época, e quanto a vocês não sei, mas o espírito natalício que antes tinha, desvaneceu-se, já não o sinto, gone, c'est fini. Já ninguém acredita no gordo barbudo, nem sequer no aniversário do menino Jesus. E sim, é bonito ver as ruas iluminadas, casinhas com luzes de natal e blablabla. Mas sinceramente, a meu ver, desligava-as todas, poupava-se na energia, no dinheiro, claro que o espirito morria mais um pouco, mas que espirito é este? Comprar prendas caras para tudo e mais algum bicho que mexe ou fala? Poluir as ruas com papéis de embrulhos coloridos aos farrapos? Enfardar até cair para o lado?
Talvez seja isso... O espírito natalício está a morrer porque alguns se estão a aperceber da estupidez a que estamos a chegar, uns dentro de casa à lareira a comer peru e bacalhau, e outros, na rua, debaixo do escape de um ar condicionado que fede e a chupar o osso de galinha que encontraram na semana passada, ou a mordiscar a sola do sapato para enganar a fome. Não acho justo.
21 de dez. de 2012
Pessoas
Não gosto de escrever sobre pessoas, principalmente quando é sobre uma em particular, é um processo lento, de negação, e depois torna-se doloroso, é sempre assim, um ciclo.
Começo a odiá-lo, odeio o que ele causa em mim, odeio.
No entanto, adoro escrever sobre pessoas, recordar momentos e revive-los interiormente, reescreve-los da maneira que eu queria que eles tivessem acontecido, fantasiar, criar histórias ou suposições sobre factos.
Porque as pessoas são um ser curioso, com muito mistério sem às vezes darem por isso, e eu gosto desse mistério, gosto de descobrir pequenas coisas que fazem muita diferença. Escrever sobre pessoas tem os ingredientes todos para se amar, e é essa a questão, gostar-se demasiado do que se está a fazer. Porque quanto mais damos mais estamos a perder, e se tudo for em vão abre-se um vazio em nós... é esse o problema de escrever sobre pessoas, é feio o que elas por vezes fazem, a maneira como desprezam bons textos, boas palavras.
Sinto-me um bocadinho impotente hoje, por escrever sobre pessoas que não se importam com o que escrevo, ou pelo menos é o que penso, será sempre uma incógnita, até ao dia "Este blog é teu?" e "Sobre quem são estes textos?" e depois uma resposta a medo, são sobre ti, e um silêncio constrangedor.
15 de dez. de 2012
Não sei bem
Não sei bem o que me fascina em ti, só sei que o meu coração aquece quando sorris para mim, e enfraquece quando estou longe.
Mata-me esse castanho escuro, fervilhante, com que me olhas. No entanto parece tão simpático quando sorris e pequenas rugas surgem em volta dos teus olhos, como se me saudassem, dizendo-me que aquele sorriso é genuíno.
Por fim, esses lábios que me chamam, e novamente os olhos que me olham em dúvida. Maybe I'm falling for you.
1 de dez. de 2012
Universitários
Olhos Fechados e encovados,
Ou muito claros ou muito escuros.
Cabelos pouco arranjados, e perfumes obscuros.
Barba farta ou mal cortada,
Extremamente magros ou não,
Deixam a rapariga arrepiada, mas no fundo são
Todos amantes da vida Boémia, com razão,
Festas loucas, Artes e mulheres com paixão.
Assinar:
Postagens (Atom)