13 de out. de 2011

E depois de um dia difícil, o seu único conforto era pensar em soluções e observar a rua movimentada.
Era como se fugisse a realidade, por vezes o acto de pensar em soluções tornava-se em sonhos, que ela sonhava deliciada olhando o horizonte.
Só que esses sonhos não a confortavam, ela sabia que eram impossíveis, parvos, inconcretisáveis.
Ela foi tão parva em acreditar que podia ter resultado.
Sem duvida, obrigadissima.

12 de out. de 2011

Non-sense

Pergunto-me se não sonhei, se não foi só um daqueles sonhos que parecem muito reais, mas não.
Disseram-me que não sonhei, porque foram testemunhas, viram-me lá ao longe, entrelaçada, nos teus braços.
Se não foi um sonho, só pode ter sido um delírio. Um delírio colectivo, pronto.
Sei que se passou pouco tempo, mas para quê exibir um copo de água em frente a um sedento, se não se pretende dar-lhe de beber? Não faz sentido.

11 de out. de 2011

Quote # 1

«Algumas pessoas sentem a chuva, outras ficam só molhadas.»

10 de out. de 2011

Fall


Havia tempos em que andava a ansiar o calor, farta do frio, mas este agora veio demasiado intenso e agora já não lhe acho tanta piada, onde estás vento refrescante? Onde estás frio que torna uma chávena de chá de morango a melhor coisa a face da terra?
É, sou uma pessoa que não gosta de temperaturas em excesso. Gosto daquele tempo de céu limpo, com uma certa brisa, e um certo friozinho na espinha. Ou até mesmo aquele tempo nublado mas abafado, agradável.
Sou uma pessoa de fins de tarde semi-frios ou semi-quentes, se isso fizer sentido.
Gosto de ouvir o murmúrio que o vento causa entre os galhos das árvores, quando os bichos verdes estão a hibernar e não nos vêem chatear.
É isso, anda lá outono, agora que te queremos e que te escondes de nós?

7 de out. de 2011

Perdidos e Roubados.

Foi preciso ter roubado um coração alheio para descobrir que quem me tinha roubado o meu, não o merecia e tão pouco o queria.
E assim, o dono do coração alheio roubou pela calada o coração que o outro não queria nem merecia, e guardou-o num local melhor, pode ser cedo para se afirmar, mas está muito mais aconchegado agora,


Obrigada.

5 de out. de 2011

Ironias


É que, estas coisas são irónicas, e é mesmo quando não se espera, quando se tem um ponto de vista totalmente diferente.
E mentir, não, mentir não, ocultar as coisas, as pessoas podem ocultar, e ficas tipo, mas eu tinha a certeza, mas não sabes que elas estão a ocultar algo.
E depois, quando dás por ti deixas de ter aquele ponto de vista que tinhas antes, reparas que os abraços já não encaixam como antes, aquilo que te sabia bem torna-se esquisito. E lembras-te do encaixe perfeito daquilo que não esperavas, aquilo que seria esquisito agora sabe-te bem.
É tão deliciosamente irónico, não é?

3 de out. de 2011

Tentativa de Poema

Não é a boca mas sim o corpo que fala.
Não é o corpo que sente, é a alma.
Com tudo isto, apresento-te a minha jaula,
Ficará tudo bem se fores com calma.

29 de set. de 2011

Corrida Semi-nocturna

Era já de tardinha e o horizonte estava cor de laranja, esbatido pelo nevoeiro que se revelava fresco.
Lídia, escondida colocou o manto preto de cetim, que tinha comprado no mercado, esgueirou-se pelas escadas da torre e saiu pela porta das traseiras, colocou o capuz, não fosse o pai reconhece-la e impedi-la.
No meio do crepúsculo ela foi pelo prado de passos leves e silenciosos como a morte, chegando aos estábulos, surripiou uma sela, uma cabeçada e umas rédeas, carregou-as para uma cerca proxima onde haviam cavalos livres, assobiou uma combinação melódica e uma égua árabe revirou as orelhas e trotou até ela.
-Vamos correr, Gaia? - Perguntou Lídia à elegante égua loira, que tinha o nome da deusa da Terra.
Gaia respondeu-lhe positivamente levantando as orelhas e soprando pelas ventas.
Lídia afagou-lhe o focinho e colocou-lhe gentilmente a sela, a cabeçada e as rédeas que tinha roubado do celeiro, silenciosamente retirou-a de dentro das cercas e partiram as duas para uma corrida semi-nocturna.

26 de set. de 2011

-Foste tu que me tocaste?
-Não, achas?
-Parecias tu.
-Porque fui eu. Mas porque é que parecia eu?
-Não sei, é o teu modo de tocares nas pessoas.
-Eu acho que tenho uma maneira rude de tocar nas pessoas.
-Nada disso, não te sei explicar, é a tua maneira.

22 de set. de 2011

O monstro

 Ando a redescobrir o prazer em desenhar, desta vez não tanto pelo lazer da coisa, mas por pressão, por precisão, para impressionar o monstro do Desenho.
Não me importo de desenhar para ela, até gosto, desde que ela não esteja presente na sala onde estou a desenhar.
O monstro do desenho intimida, intimida porque gosta de se exibir, porque sabe que é bom no que faz, e nós, discípulos sabemos que só depois de muito tempo a tentar é que vamos conseguir fazer um pouco do que ela faz.
E se ela não gostar do que estamos a fazer, é esquecer, rasgar ou apagar e novamente recomeçar.
A linha torta tem de ficar direita, a folha preenchida e as proporções perfeitas, uma pega de chávena torta e estás morta.
Condenada a pintar Vieux Chaine em papel Craft com uma trincha de pintar paredes.