23 de jun de 2011

Decisões

Quando queres muito alguma coisa ela acaba sempre por te escorregar entre os dedos.
É algo como deixar cair o sabonete na prisão e depois tentar apanhá-lo.
Primeiro lutas para que ele não te escorregue das mãos, quando ele escorrega há aquele efeito câmera lenta antes de ele embater no chão, depois há uns olhares constrangedores, inquisidores até, e quando tomas a decisão de fazer alguma coisa, há sempre alguém por trás que fode a situação.
Isto claro da perspectiva prisional de um homem, porque na vida real aplica-se a todos os sexos, praticamente com os mesmos pormenores, mas noutro contexto.

A essência



Sabes o que gosto nos tigres?
Gosto de como são animais ferozes, corpulentos, mortíferos.
E ao mesmo tempo são gatinhos de peluche, nove vezes maiores do que os comuns que possuímos em casa.
A sua aparência, amorosa, faz-nos esquecer a sua verdadeira natureza.
São eles peluches de escala aumentada, com dentes de sabre, possuidores de uma agilidade inigualável, força de titã e veios negros sobre algodão laranja e branco.
Enquanto estamos distraídos a admirá-los, eles observam-nos pelo canto do olho, e quando damos por nós estamos prestes a ser a refeição.

Distrais-me do mundo real



Quando me falas não te ouço, perco-me apenas, ainda mais do que já estava sem te olhar.
Hipnotizas-me como se eu me tratasse de um animal desesperado pela recompensa, dou por mim a venerar-te em silêncio, a sentir o som da tua voz e a admirar-te a beleza.
Não consigo, desculpa. Distrais-me do mundo real. Não te posso olhar nos olhos quando falo contigo.